Sônia Madruga

Sônia Madruga

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sobre costurar e costureiras




Antes de entrar na Faculdade de Moda, eu não sabia costurar muito bem. Pregava botões e alinhavava com maestria, o que minha mãe teve o carinho de me ensinar, mas nada mais que isso.
Foi lá que aprendi o que sei. Mas mesmo assim, eu não sou a expert em costura, mas aprendi a orientar e saber o que realmente quero.
Acho que se a figurinista não domina a arte de costurar (porque pra mim é uma ARTE mesmo), ela tem que, no mínimo saber exatamente o que quer e como orientar sua costureira.  E até muito mais importante, talvez, seja saber lidar com ela. A fama é indiscutível! Costureiras, muitas vezes, tendem a ser 'enroladas', atrasam, ou mudam tudo o que estava no desenho. E não adianta, a responsabilidade é SUA!

O que fazer?

1. Acompanhar o trabalho dela - não adianta entregar os tecidos e os desenhos, dar uma palavrinha rápida e só voltar no dia de pegar tudo pronto. Se o prazo é uma semana pra entregar, por exemplo, visite-a no meio da semana pra saber como estão indo as coisas e evitar os 'elementos surpresa' que a gente tanto odeia.

2. Fazer o desenho técnico - a costureira não tem como adivinhar que aqueles rabiscos em aquarela e nanquim significam um franzido, ou babadinhos, ou até aplicação de plumas . Ter um bom desenho técnico significa domínio do que você quer para seu figurino. Pode ser à mão, contando que seja técnico, vale muito à pena.

3. Mentirinhas amigas - Dizer que você precisa para 'data tal', mas que na verdade é só pra duas semanas depois, evita, e MUITO, o velho conhecido stress causado pelas enroladas.


Eu aprendi essas coisas no tapa. Ah se alguém tivesse me falado antes... :)


Aproveito para deixar um link de uma matéria incrível, do Fashion Bubbles, sobre a História da Costura e Evolução do Pret-a-Porter.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Depois de tanto tempo....


A vida e o trabalho me deixaram de fora de um processo ainda embrionário.
Volto agora a postar sobre a maior paixão da minha vida.
O brincar de decidir pelos outros, pelo outro que não existe, que está no nosso imaginário e até toma forma. Mas mesmo assim ainda está no nosso imaginário.

Bem-vinda, EU, de volta.


Na foto: figurino do espetáculo A MENINA - Direção de Virgínia Jorge. Monólogo com Fabíola Buzim.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O que nos inspira?


 "A JOVEM RAINHA VITÓRIA", que ganhou o Oscar de Melhor Figurino este ano. Criação divina da Sandy Powell, que é especialista em figurinos de época. E de quem eu sou fã e me inspira todos os dias. 



ins.pi.rar transitivo
  1. dar inspiração;
  2. introduzir o ar nos pulmões;
  3. sugerir;
  4. insinuar;
  5. encher de inspiração ou estro.



Ao sermos abordados por uma nova oportunidade de criação levamos em consideração, além da história em si, claro, as orientações da direção, as nossas pesquisas, as ideias trocadas com cenógrafo, iluminador, elenco, etc.  Mas o que nos inspira verdadeiramente?


É óbvio que podemos dizer que tantas coisas nos inspiram... Somos artistas e movidos a ideias que brotam "do nada" e que nutrem nossas criações. Todavia, acho muito mais interessante quando somos mais específicos. :)


Pra mim ainda não existe lugar mais inspirador que os próprios ensaios. No caso do teatro - minha primeira paixão, é onde busco minhas mais importantes inspirações. Gosto de ouvir o que o diretor tem a falar de determinada cena, das descobertas nos subtextos dos personagens pelo elenco, que vão muito além da minha decoupagem; da trilha sonora e até do mapa de luz. Ao sair dos ensaios, sempre com a cabeça fervilhando de ideias, observo as pessoas pelas ruas, ouvindo música, lendo livro, até mesmo fazendo compras do mês no supermercado. Gosto de ficar dias só pensando no que eu poderia fazer e depois colocar no papel as possibilidades. E daí, vou trocar ideias com os outros departamentos, que sem querer vão ajudando a preencher lacunas que pareciam nem existir. Esta é uma das minhas partes preferidas até o figurino pronto. É quando a gente vai buscando formas pra um personagem, decidindo o que ele veste, a cor preferida, o tipo de sapato que ele usa e até se tem barriga ou não, assim, brincando de Deus...  


Este é um pouco do meu processo. 


Qual o seu? 



quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quanto cobrar?

Outro assunto que permeia conversas entre profissionais da área é o preço a se cobrar quanto ao nosso trabalho. Principalmente no início da carreira.


Qual o valor da nossa criação? 
Ela é boa o suficiente para determinado preço? 
Se for por hora de trabalho? 


Meu primeiro trabalho como figurinista no teatro foi DE GRAÇA. Não recebi um tostão se quer e ainda tirei do meu bolso. Lógico que foi um investimento dado que logo depois vieram outros trabalhos e todos remunerados. E aí veio a dúvida: QUANTO COBRAR?


Acredito que quando o tempo vai passando, vamos ganhando experiência e visibilidade... e aí sim podemos começar a cobrar um pouco mais. Mas o que cobrar? 


Uma vez numa Oficina de Figurino Teatral, com Ronald Teixeira, ele passou uma lista do que deve estar incluído no preço de um profissional de figurino:


1. Material de pesquisa (horas na Internet, compra de livros, revistas)
2. Material para desenho (Canson, lápis, nanquim, papéis para colagens, tinta, lápis de cor, etc)
3. Transporte/Gasolina (para pesquisa, orçamentos, ensaios)
4. Costureira/Alfaiate/Chapeleiro/Sapateiro/Aderecista/Assistente
5. E finalmente, em cima do valor de cada um dos itens, acrescentar 40% e aí é o seu cachê!


E usando desta jogada, me deparei diversas vezes com "muito caro, não temos dinheiro" - claro, teatro quase nunca tem dinheiro; e também com "o valor estimado para figurino (cachê, costureira, assistente, material, tecidos, etc) é X" e aí você tem que se virar como pode. 


E vale à pena?

sábado, 29 de maio de 2010

Qual a real necessidade de um figurinista?


cirque singer 10 figurino Figurino: o equilíbrio dos signos ao compor um personagem

Ao contratar o profissional de figurino questiono a real relevância deste trabalho.


Se o ato de vestir-se já está incutido como hábito diário, por que aquele - o ator - que constrói a identidade de um outro ser - o personagem - não o faz automaticamente? Será mesmo preciso um profissional para tal feito?


Apresento assim este blog.


Uma pergunta a princípio tola e de resposta mecânica, que se olhada um pouco mais além, talvez encontremos saídas mais complexas que guardam, na verdade, um valor ainda pouco agregado a este profissional que muitas vezes está apenas ligado à uma peça de roupa.